GARE11

GARE11 (Guardian Real Estate) — Análise qualitativa do fundo (10/09/2026)

10 de setembro de 2026 · Observação · João Batista #fii#renda-urbana#logistica#gare11

Análise qualitativa do GARE11 (Guardian Real Estate FII), fundo imobiliário de tijolo. Foco na estrutura da carteira, tese e riscos.

1. O que é o GARE11

O GARE11 é um fundo imobiliário de tijolo (renda de aluguel) com gestão da Guardian Gestora, focado em renda urbana e logística: imóveis de varejo (lojas de rua e centros de distribuição de redes de supermercado/atacarejo) e galpões logísticos, boa parte adquiridos via operações de sale-and-leaseback e locados sob contratos atípicos de longo prazo. A proposta é de renda mensal relativamente previsível, com reajuste por índices de inflação.

Características típicas desse perfil de fundo:

  • Poucos imóveis de tíquete alto, com concentração em poucos locatários de grande porte (redes de varejo alimentar).
  • Contratos atípicos longos → previsibilidade de receita, porém menor flexibilidade de renegociação e forte dependência da saúde financeira dos inquilinos.
  • Crescimento do patrimônio por novas emissões de cotas para comprar mais imóveis — o que pode diluir e pressionar a cota no secundário se feito a preços abaixo do valor patrimonial.
  • Histórico recente de negociação abaixo do valor patrimonial (P/VP < 1), comum na classe de renda urbana em ciclos de juro alto.

2. Ficha técnica

Cotação
R$ 8,35
Valor de mercado
R$ 2,41 bi
P/VP
0,90
Dividend Yield (12m)
9,6%
FFO Yield
5,13%
FFO por cota
R$ 0,43
Vacância média
0,0%
Nº de cotas
289.186.438
Nº de imóveis
3
Área bruta locável (m²)
2.010.965

Fonte: Fundamentus · cotação de 09/09/2026 · coletado em 2026-09-10. Dados podem ter atraso; confirme em fontes oficiais antes de decidir.

3. Tese de investimento (resumo)

  • Renda previsível e mensal. Contratos atípicos longos indexados à inflação dão visibilidade de fluxo de caixa.
  • Desconto sobre o valor patrimonial. Se a cota negocia abaixo do VP, há potencial de valorização caso o mercado reprecifique a classe (tipicamente quando o juro cede).
  • Setor resiliente. Varejo alimentar/atacarejo é uma demanda defensiva; galpões logísticos têm vetor estrutural de e-commerce e reconfiguração de cadeias.
  • Dividend yield elevado. Fundos de renda urbana costumam pagar yield acima da média dos FIIs, compensando o risco de concentração.
  • Sensibilidade positiva a corte de juros. FIIs de tijolo tendem a se valorizar quando a Selic cai e a renda fixa fica menos atrativa.

4. Pontos fortes e riscos

Pontos fortes

  • Contratos atípicos longos indexados à inflação → receita previsível.
  • Exposição a varejo alimentar/atacarejo, demanda relativamente defensiva.
  • Dividend yield historicamente elevado para a classe.
  • Negociação abaixo do valor patrimonial abre margem de segurança se a tese se confirmar.
  • Pagamentos mensais e gestão ativa buscando reciclagem de portfólio.

Riscos

  • Concentração em poucos locatários de grande porte: a saúde financeira de uma ou duas redes de varejo define boa parte da receita.
  • Risco de crédito do inquilino em contrato atípico: distrato ou inadimplência tem impacto desproporcional.
  • Crescimento via novas emissões pode diluir e pressionar a cota no secundário, sobretudo se feito abaixo do VP.
  • Sensibilidade a juros: em Selic alta, a cota tende a ficar pressionada e o desconto sobre o VP persiste.
  • Vacância e custo de recolocação altos em imóveis logísticos/varejo específicos (build-to-suit dificilmente reaproveitável).
  • Alavancagem, se relevante, aumenta a vulnerabilidade a custo de dívida.

5. Cenários (qualitativos)

Cenário otimista

  • Selic em queda reprecifica a classe de renda urbana; a cota converge para o valor patrimonial, somando ganho de capital ao yield corrente.
  • Os inquilinos de varejo alimentar seguem saudáveis e os contratos são renovados ou reajustados pela inflação sem atrito.
  • Novas aquisições são feitas a preços acretivos (yield de compra acima do custo de capital), elevando a renda por cota.
  • Reciclagem de portfólio (venda de ativos maduros com lucro) gera ganho distribuível e melhora a qualidade da carteira.
  • A vacância se mantém baixa e a diversificação de locatários aumenta, reduzindo o risco de concentração.

Cenário pessimista

  • Um locatário relevante entra em dificuldade financeira ou distrata, derrubando a receita e o rendimento mensal.
  • Juros altos por mais tempo mantêm a cota descontada e o custo de captação alto, travando o crescimento acretivo.
  • Novas emissões abaixo do VP diluem cotistas e pressionam o preço no secundário.
  • Vacância em imóveis específicos com baixa liquidez de recolocação e carência prolongada.
  • Reajustes de contrato abaixo da inflação em renegociações, corroendo a renda real.

6. O que confirmar antes de decidir

  • Cotação, valor patrimonial por cota e P/VP atuais; liquidez diária.
  • Dividend yield (12m e anualizado do último rendimento) e sustentabilidade da distribuição (resultado x rendimento pago; reservas).
  • Composição da carteira: número de imóveis, maiores locatários e % da receita, setores, distribuição geográfica.
  • WAULT, tipo de contrato (atípico x típico) e indexadores; cronograma de vencimentos.
  • Vacância física e financeira; inadimplência.
  • Alavancagem (LTV), custo e cronograma da dívida.
  • Emissões recentes e previstas: preço, uso dos recursos, efeito de diluição.
  • Últimos relatórios gerenciais e fatos relevantes.

Análise gráfica das cotas

GARE11 · set. de 25 – set. de 26 Fechamentos diários · atualizado em 2026-09-10 · fonte: Yahoo Finance
8.00 8.33 8.67 9.00 9.33 9.24 8.09
Fechamento Média móvel 50 dias
Preço
R$ 8,40
Δ 1 mês
+2.9%
Δ 12 meses
-6.8%
Máx. 52s
R$ 9,24
Mín. 52s
R$ 8,09
vs. máx.
-9.1%
Vol. anual.
7%

Leitura dos dados de preço

  • Preço +2.5% vs. a média móvel de 50 dias e -1.0% vs. a de 200 dias — sem tendência definida (preço entre as médias móveis).
  • Estrutura de médias: média de 50 dias 3.4% abaixo da de 200 — médias ainda invertidas (típico de tendência de baixa ou recuperação não confirmada).
  • Está 9.1% abaixo da máxima e 3.8% acima da mínima de 52 semanas.
  • Retorno de preço (sem proventos): +2.9% em 1 mês, -0.1% em 6 meses, -6.8% em 12 meses.
  • Volatilidade anualizada de ~7% e maior queda do topo no período de -12.4%.

Leitura puramente descritiva da série histórica de preços (sem proventos), para contexto. Indicadores técnicos não preveem preços futuros e não constituem recomendação. Dados podem ter atraso e pequenas divergências entre fontes.

Fontes (ponto de partida)

Esta página é um registro pessoal de análise, de caráter informativo e educacional, e ainda sem dados de mercado verificados. Não constitui recomendação, oferta ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo, nem aconselhamento financeiro. Confirme todos os números no relatório gerencial e nas fontes oficiais antes de decidir. Decisões de investimento são de responsabilidade do leitor.